São Longuinho: da lança que feriu Cristo aos pulinhos de gratidão, a história do santo que une fé e infância

Quem nunca ouviu a brincadeira? “São Longuinho, São Longuinho, se eu encontrar [nome do objeto], dou três pulinhos e três gritinhos.” A tradição, popular entre as crianças brasileiras, é uma forma lúdica de invocar o santo conhecido por ajudar a encontrar objetos perdidos.

Mas por trás dessa brincadeira inocente, esconde-se uma das histórias mais extraordinárias de redenção e transformação da humanidade.

Quem foi São Longuinho?

Longuinho, figura curiosa que habita o imaginário infantil e o limbo da memória adulta, não era um santo comum. Ele foi um centurião romano que, por ordem de Pôncio Pilatos, esteve ao pé da cruz de Jesus.

Foi ele quem perfurou o lado de Cristo com uma lança, um ato que, segundo a tradição, mudaria sua vida para sempre. “Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus”, foram as palavras que saíram de sua boca após testemunhar os acontecimentos sob a cruz.

A transformação de um soldado

A história de Longuinho é marcada por um profundo arrependimento e uma mudança radical. Após o episódio no Calvário, ele abandonou sua carreira militar e se uniu à comunidade cristã.

A tradição popular o associa à perda e à busca, talvez pela sua própria história de cura da cegueira. A gota de sangue de Cristo, ao tocar seus olhos, simboliza a luz da fé que o guiou após a crucificação.

A tradição conta que, durante sua conversão, ele peregrinou por regiões como Cesareia e Capadócia, proclamando a fé em Cristo. Sua vida tornou-se um testemunho de amor e dedicação ao Reino de Deus.

O martírio e a redenção

O fim de Longuinho foi tão dramático quanto sua conversão. Perseguido por sua fé, ele foi capturado, torturado e condenado à morte por decapitação. Mesmo diante da dor, manteve-se firme em sua crença.

Após sua execução, seu perseguidor, o governador, caiu em si e se converteu ao Senhor. “Assim que Longuinho foi executado, o governador caiu em si e começou a sentir arrependimento”, segundo informação da Agência Católica de Informação (ACI Digital).

Um legado que une fé e lúdico

Hoje, 15 de março, é dia de celebrar São Longuinho. Enquanto as crianças pulam e gritam em agradecimento por encontrar objetos perdidos, os adultos podem refletir sobre a profundidade de sua história.

Longuinho não é apenas o santo dos pulinhos; ele é um exemplo de como o amor de Deus pode transformar até mesmo aqueles que parecem mais distantes da graça.

A brincadeira que ensina

Quando as crianças invocam São Longuinho, elas estão, mesmo sem saber, se conectando com uma figura que testemunhou um dos momentos mais marcantes da história humana. E, quem sabe, ao fazerem seus pulinhos e gritinhos, estejam também aprendendo, de forma lúdica, sobre perdão, redenção e a capacidade de mudar para melhor.

Afinal, como diz a tradição, Longuinho foi “transpassado no profundo da sua alma pelo Amor de Deus”. E isso, definitivamente, não é brincadeira.

Hoje, embora não seja mais celebrado oficialmente pela Igreja como antes da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, seu legado persiste na devoção popular.

Com informações de ACI Digital

Deixe um comentário