Caio Fábio critica Olavo de Carvalho e sua influência na radicalização evangélica: “Pregar amor é coisa de comunista?”

Em uma participação recente no podcast Entrando Na Mente, o pastor Caio Fábio não poupou críticas ao filósofo Olavo de Carvalho, afirmando que sua influência contribuiu para a radicalização de certos grupos evangélicos. Ele ironizou a associação equivocada entre comunismo e pregação do amor, dizendo que Olavo ajudou a difundir a ideia de que “pregar amor e misericórdia é coisa de comunista”.

A radicalização e a crítica ao “marxismo cultural”

Caio Fábio destacou que, graças à influência de Olavo, muitos evangélicos passaram a ver qualquer defesa de justiça social como uma ameaça comunista. “Olavo acabou com a cabeça desse povo todo”, afirmou, sugerindo que o filósofo criou uma narrativa que distorceu valores cristãos. Ele também criticou a visão de que “defender a natureza é coisa de comunista”, citando a ambientalista Marina Silva como exemplo de alguém injustamente rotulada.

Silas Malafaia e Pablo Marçal na mira

Caio Fábio não poupou nem o pastor Silas Malafaia nem o empresário Pablo Marçal. Ele comparou Malafaia a um “Aiatolá evangélico”, que sonha com uma teocracia no Brasil, enquanto Marçal, segundo ele, deseja ser o líder político supremo dessa teocracia. “Eles estão servindo ao mesmo deus: Mamom”, disparou.

Histórico de diálogo e polarização

A relação entre Caio Fábio e Olavo de Carvalho não é nova. Em 2014, o apresentador Danilo Gentili mediou um encontro entre os dois em que tratava da “necessidade de tirar o PT do poder”, que pode ser visto aqui.

“Pessoas que pensam diferente podem ter convergências de opinião”, disse Caio Fábio depois em vídeo publicado em seu canal no Youtube, destacando a importância de superar polarizações.

A “loucura do circo olávico”

Em 2020, Caio Fábio gravou um vídeo chamado “A Loucura do Circo Olavico“, no qual acusou Olavo de promover uma “epistemologia do ódio”. Ele criticou os “olavetes”, seguidores fanáticos de Olavo, por transferirem suas mentes e almas para o filósofo, sem questionar suas ideias. “Olavo leu muito, mas sua síntese é louca”, afirmou.

Olavo revida

Olavo de Carvalho, por sua vez, já chamou Caio Fábio de “canalha,, vagabundo sem vergonha” e o acusou de “treinar fanáticos para tomar o poder”. Em uma aula de 2020, ele sugeriu que Caio Fábio usa sua influência religiosa para promover uma agenda política desonesta. “Ele está criando formas rápidas para tomar o poder”, disse Olavo.

Contexto histórico: o Dossiê Cayman

Para quem não se lembra, nos anos 90, Caio Fábio foi alvo do “Dossiê Cayman”, uma investigação do PT que o acusava de desviar recursos de uma ONG. Ele sempre negou as acusações e atribuiu o caso a uma perseguição política. Esse episódio marcou sua visão crítica sobre o PT e, ao mesmo tempo, sua busca por diálogo entre diferentes espectros ideológicos.

Eis o ponto comum que fez com que o pastor e o filósofo católico brasileiro mais crítico ao PT topassem uma conversa.

Um debate que reflete o Brasil

A polêmica entre Caio Fábio e Olavo de Carvalho reflete as profundas divisões ideológicas e religiosas no Brasil. Enquanto Caio defende o diálogo e critica a radicalização, Olavo acusa o pastor de manipulação e busca de poder. O debate, que começou com uma tentativa de aproximação em 2014, com o tempo passou a ser marcado por críticas duras e desconfiança mútua.

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