"Carnaval é herança da macumba", diz Milton Cunha; suposto pastor rebate: "Festa é dos cariocas"

Suposto pastor da Assembleia de Deus critica retiros evangélicos e defende que “carnaval não é do demônio”

Em meio à polêmica gerada pelo carnavalesco Milton Cunha, que afirmou que o Carnaval é uma manifestação da “macumba”, o suposto pastor da Assembleia de Deus e assessor da vereadora Tainá de Paula, Cosme Felippsen, entrou no debate ao participar da Lavagem da Sapucaí e criticar os cristãos, especialmente evangélicos, que promovem retiros durante a festa. Felippsen, que se intitula militante do Movimento Negro Evangélico, afirmou que o Carnaval “não é do demônio, é dos cariocas”, em um discurso que mistura política, religião e defesa das tradições afro-brasileiras.


Cosme Felippsen: “A cidade e o Carnaval não são do demônio”

Durante a Lavagem da Sapucaí, ritual de purificação inspirado em tradições afro-brasileiras, Cosme Felippsen fez uma oração e criticou as igrejas que organizam retiros durante o Carnaval. “Lamento profundamente por muitos dos meus irmãos em Cristo abandonar a cidade em época de Carnaval e fazer retiros, dizendo que a cidade está na mão de satanás. Digo a vocês que a cidade e o Carnaval não é do demônio, é sim dos cariocas”, afirmou.

A fala de Felippsen surge como uma resposta indireta ao carnavalesco Milton Cunha, que recentemente afirmou que o Carnaval e as escolas de samba são herdeiros do batuque e da “macumba”, termo que ele usa para se referir às religiões de matriz africana. Para Cunha, as baterias das escolas de samba tocam para os orixás, evidenciando a forte influência da religiosidade afro-brasileira na festa.


Defesa das religiões afro-brasileiras e crítica às igrejas

Em seu discurso, Felippsen não apenas defendeu o Carnaval, mas também fez duras críticas às igrejas evangélicas. “Demônio não é o samba. Demônio é a fome que muitas famílias ainda passam na nossa cidade, enquanto grandes igrejas continuam enriquecendo seus pastores, que também podem ser chamados de falsos profetas e usurpadores da fé”, disse.

Ele ainda pediu respeito às religiões de matriz africana, como umbanda, candomblé e quimbanda, e condenou o racismo religioso (?). “Respeitem os terreiros de umbanda, respeitem o candomblé, a quimbanda, a encantaria, o tambor de mina, a jurema e qualquer crença afro-brasileira”, afirmou.


Repercussão e questionamentos sobre a identidade de Cosme Felippsen

Apesar de se apresentar como pastor da Assembleia de Deus, a identidade religiosa de Cosme Felippsen foi questionada por internautas e especialistas. Pesquisas em suas redes sociais não encontraram evidências claras de sua atuação pastoral, levantando dúvidas sobre sua legitimidade como líder religioso. Além disso, sua militância no Movimento Negro Evangélico e sua ligação com a vereadora Tainá de Paula, conhecida por suas posições políticas de esquerda, também geraram controvérsias.


Carnaval: festa popular ou ambiente contrário aos valores cristãos?

Enquanto Felippsen defende o Carnaval como uma festa popular e cultural, muitos evangélicos veem a celebração como um ambiente contrário aos valores cristãos. Passagens bíblicas, como Gálatas 5:19-21, que condenam “imoralidade sexual, idolatria, feitiçarias, bebedeiras e orgias”, são frequentemente citadas por líderes religiosos para justificar a não participação dos fiéis na festa.

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