Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, não é apenas mais um nome na interminável lista de criminosos foragidos no Rio de Janeiro. O líder do tráfico do Complexo de Israel, ligado ao Terceiro Comando Puro (TCP), conseguiu algo inédito: uniu crime organizado e marketing religioso de maneira jamais vista no Brasil. Autodeclarado um “traficante evangélico”, segundo O Globo, ele se valeu de uma suposta visão divina para justificar a expansão de seu domínio e espalhar símbolos bíblicos por suas áreas de atuação.
“Autodeclarado um “traficante evangélico”, Peixão se valeu de uma suposta visão, de que precisaria “libertar o povo” da Cidade Alta, para ampliar seu poder sobre a região. O argumento é de que ele dominaria as favelas do entorno sob as bênçãos divinas.”
Entre o crime e a fé
Aos olhos da polícia, trata-se de um dos criminosos mais perigosos do Rio. Mas, para alguns moradores do Complexo de Israel, ele é um messias urbano, um justiceiro investido de poder celestial. A estratégia, claro, tem seu lado prático: a combinação de um discurso religioso com o terror imposto pelas armas faz com que muitos fiquem calados e aceitem seu domínio.
Peixão foi além das pichações comuns no submundo do crime e mandou instalar uma Estrela de Davi iluminada que pode ser vista de longe por quem passa pela Linha Vermelha e pela Avenida Brasil. Em seus redutos, muros trazem frases como “Jesus é o dono desse lugar”.
O uso da religião no crime organizado
O tráfico de drogas, por si só, não tem religião, mas seus chefes, ao longo da história, sempre se cercaram de símbolos de fé, buscando uma espécie de legitimação espiritual para suas ações. O mafioso italiano Totò Riina ia à missa religiosamente enquanto comandava assassinatos na Sicília. O chefão da máfia russa, Semion Mogilevich, mantinha fortes laços com a Igreja Ortodoxa.
Já no Brasil, Peixão encarna a figura do ‘traficrente’, o traficante crente, um conceito que só poderia brotar por aqui, onde crime e fé caminham juntos com uma naturalidade impressionante.
A estética religiosa da facção
Mas o que distingue Peixão dos seus colegas de crime é a estética teológica de sua facção. Além da estrela de Davi gigante, há relatos de que seus soldados usam fardas verde-oliva inspiradas no exército de Israel e de que ele mantém em sua casa uma edição de luxo da Torá.
No entanto, seu histórico de violência nada tem de sagrado. Ele é acusado de torturar inimigos antes de matá-los e já teria ordenado a execução de um de seus próprios subordinados apenas por suspeitar de um furto de celular.
O cerco das autoridades
Nesta quarta-feira (12), a Polícia Civil e a Polícia Militar montaram uma grande operação para capturá-lo em sua suposta fortaleza, uma mansão com piscina, churrasqueira e uma cascata adornada com a Estrela de Davi. O resultado? Mais um cerco frustrado, tiroteios, barricadas em chamas e caos no trânsito, segundo informa o G1. Como de costume, Peixão escapou. Apesar de ter 79 anotações criminais e responder a 26 processos, nunca passou um dia na cadeia.
O “traficrente” na mira da polícia
Peixão continua foragido, mas a polícia garante que está trabalhando para capturá-lo. “Apesar de acumular 79 anotações criminais e responder a 26 processos no Tribunal de Justiça do Rio, Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, nunca foi preso”, destaca O Globo
O líder divino do crime
Enquanto a polícia se desdobra para encontrar uma forma de finalmente capturá-lo, Peixão segue à solta, mantendo sua aura de líder divino e impondo sua própria ‘lei de Deus’ nas favelas do Complexo de Israel. No Brasil, onde o tráfico e a fé convivem de forma única, a combinação entre metralhadoras e hinos evangélicos segue firme — para desespero das autoridades e espanto do resto do mundo.
