Assembleiano, Lucas Pavanato (PL) propõe Dia de Combate à Cristofobia, apesar de relatório mostrar liberdade religiosa plena no Brasil

De acordo com a Folha de São Paulo, Lucas Pavanato (PL), vereador evangélico pentecostal da Assembleia de Deus e ex-integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), apresentou um projeto de lei que institui o Dia de Combate à Cristofobia nos domingos de Páscoa. A proposta, que já tem precedente vetado na gestão Haddad, surge em meio a debates sobre liberdade religiosa e polarização política.

Pavanato, admirador do filósofo católico Olavo de Carvalho, justifica o projeto alegando uma suposta “perseguição contra os cristãos” no Brasil e no mundo. No entanto, um relatório recente da organização Ajuda à Igreja que Sofre, citado pelo site Fé na Pauta, classifica o Brasil como “não classificado” em perseguição religiosa, destacando leve crescimento no número de cristãos no país.

Cristofobia e liberdade religiosa

No texto do projeto, Pavanato afirma que a medida visa “garantir a liberdade religiosa e a dignidade” dos cristãos. Vale destacar a notícia recente do Fé na Pauta de casos internacionais, como o ataque do governo da Nicarágua ao Vaticano, chamando a Santa Sé de “depravada” e “pedófila”.

No entanto, o Relatório Sobre Liberdde Religiosa mencionado pelo site mostra que países como China, Irã e Nigéria enfrentam perseguição sistemática aos cristãos, enquanto o Brasil aparece como um exemplo de convivência pacífica entre religiões, não apresentando “um cenário sistemático de perseguição”. Em 2023, 90,77% da população brasileira se identificava como cristã, um aumento em relação aos 90,71% de 2016.

Projeto polêmico e precedente vetado

Esta não é a primeira vez que uma proposta do tipo é apresentada na Câmara Municipal de São Paulo. Em 2016, o ex-vereador Eduardo Tuma (PSDB) propôs instituir o Dia de Combate à Cristofobia em 25 de dezembro. O projeto foi vetado pelo então prefeito Fernando Haddad (PT), que argumentou que a medida estimulava a divisão entre religiões e a população LGBTQIA+.

Haddad afirmou, na época, que o projeto prestava “desserviço aos esforços que o conjunto do município de São Paulo tem feito em prol da convivência pacífica com a pluralidade democrática”.

Pavanato e a agenda conservadora

Eleito como o vereador mais votado em 2022, Pavanato tem uma trajetória marcada por projetos polêmicos. Entre eles, está a proposta de definir o “sexo biológico” como único critério para competições esportivas e uso de banheiros públicos, além de proibir tratamentos hormonais em menores de 18 anos.

O vereador também propôs o “Prêmio Olavo de Carvalho de Defesa da Família”, a ser entregue anualmente pela Câmara no aniversário do filósofo católico, morto em 2022. O prêmio reconheceria iniciativas em favor da família e da Igreja.

“Cristão não pode ser comunista”, diz Pavanato

Em entrevista ao site Pleno News, Pavanato reforçou sua visão conservadora ao afirmar que “não tem como um cristão ser comunista”. Ele foi enfático ao criticar a relação entre cristianismo e ideologias progressistas:

– Não tem como um cristão ser comunista e cristão. Não tem como um cristão também ser comunista e woke. Ou seja, um cristão, o que eles chamam de progressista, não tem como.

A declaração reflete a postura do vereador, que já foi crítico de Bolsonaro, mas hoje se alinha ao lado das trincheiras bolsonaristas.

Brasil longe da perseguição religiosa

Enquanto Pavanato defende a criação do Dia de Combate à Cristofobia, o relatório da Ajuda à Igreja que Sofre, citado pelo Fé na Pauta, mostra que o Brasil está longe de ser um país que persegue ou discrimina cristãos. O documento destaca que, apesar de conflitos pontuais, não há um cenário sistemático de perseguição no país.

O crescimento do número de cristãos no Brasil, de 90,71% em 2016 para 90,77% em 2023, reforça a tese de que a liberdade religiosa no país está garantida.

No vídeo abaixo, Lucas Pavanato explica as razões por que é cristão.

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