O Brasil está em uma posição peculiar no Relatório sobre Liberdade Religiosa divulgado pela organização Ajuda à Igreja que Sofre. Enquanto países como China, Índia, Irã, Arábia Saudita e Nigéria aparecem na categoria de perseguição aos cristãos, e outros como Venezuela, Cuba e Turquia sofrem discriminação, o Brasil aparece como “não classificado”. Mas o que isso significa na prática? O país não enfrenta nenhum problema com liberdade religiosa?
Crescimento dos cristãos e estabilidade religiosa
De acordo com os dados do relatório, o Brasil segue majoritariamente cristão. Em 2023, 90,77% da população se identificava como cristã, número ligeiramente superior aos 90,71% de 2016. A maior parte dos demais segmentos religiosos manteve estagnação ou ligeira queda.
Apesar de eventuais conflitos pontuais, o Brasil não apresenta um cenário sistemático de perseguição. Isso explica por que o país não recebeu uma classificação específica no mapa global de liberdade religiosa.
O que significa “não classificado”?
O status “não classificado” indica que o Brasil não apresenta elementos suficientes para ser enquadrado nas categorias de perseguição ou discriminação religiosa. Isso significa que a liberdade de crença e culto está legalmente protegida e que os desafios existentes são localizados, sem impacto nacional significativo.
Em países com perseguição, como China e Arábia Saudita, há proibição de cultos cristãos e repressão estatal. Já em países com discriminação, como Cuba e Venezuela, há restrições governamentais e sociais ao exercício da fé cristã. O Brasil não se encaixa nesses cenários.
Por que o Brasil é “não classificado”?
O status de “não classificado” reflete a ausência de perseguição ou discriminação sistemática contra qualquer grupo religioso no país. O Relatório sobre Liberdade Religiosa destaca que o Brasil possui um robusto marco legal que protege todas as manifestações religiosas.
Números mostram diversidade religiosa
Além dos cristãos (90,77%), o relatório apresenta dados de outros grupos religiosos:
Espíritas: 4,83%
Agnósticos: 2,59%
Praticantes de novas religiões: 0,75%
Ateus: 0,44%
Marco legal e proteção da liberdade religiosa
A Constituição Federal de 1988, nos artigos 5º e 19, protege a liberdade religiosa. O artigo 5º estabelece que “a liberdade de consciência e de crença é inviolável, assegurando o livre exercício das crenças religiosas” e que “nenhum indivíduo pode ser privado de qualquer direito em razão de suas crenças religiosas”.
Já o artigo 19 proíbe que o Estado “estabeleça religiões ou igrejas, subsidiá-las ou manter relações de dependência ou alianças”, garantindo assim a laicidade.
A Lei nº 7.716 de 1989 criminaliza a discriminação religiosa, reforçando a proteção legal para todas as fés.
Casos de intolerância e tendências futuras
Embora não haja perseguição, a intolerância religiosa existe. Em 2021, foram registrados 583 ataques à liberdade religiosa no Brasil. Religiões afro-brasileiras são as mais afetadas, frequentemente alvos de preconceito e violência.
Nos últimos anos, há um aumento de discursos religiosos na política. Durante as eleições, candidatos usaram a religião como ferramenta eleitoral, o que acirrou polarizações.
Apesar disso, o Brasil mantém um status positivo na liberdade religiosa. A previsão é de estabilidade, desde que se evite o uso político da fé e sejam combatidas manifestações de intolerância.
Tendência positiva
O documento projeta perspectivas otimistas para os próximos anos, prevendo redução nos episódios de conflito religioso, embora alerte para o uso da religião como ferramenta política.
Este texto foi elaborado com base no Relatório sobre Liberdade Religiosa da organização Ajuda à Igreja que Sofre, contemplando dados atualizados até 2023.

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