O regime de Daniel Ortega e Rosario Murillo disparou críticas duras contra a Santa Sé, classificando o Vaticano de “depravado” e “pedófilo”, em resposta às declarações do bispo nicaraguense desnacionalizado Dom Rolando Álvarez em entrevista ao programa de notícias católico EWTN Noticias e reproduzida por ACI Digital.
A nota, emitida pelo Ministério das Relações Exteriores da Nicarágua, repudia as falas do bispo, que relatou sua experiência após ser libertado e chegar a Roma, um ano depois de ser preso no país. O governo nicaraguense acusou o Vaticano de interferir na soberania nacional e de não ter autoridade para nomear bispos no país.
Declarações “irresponsáveis e desrespeitosas”
Em comunicado divulgado no sábado (8), o governo da Nicarágua afirmou que as declarações de Dom Álvarez, dadas em nome do Vaticano, são “irresponsáveis e desrespeitosas” e violam “as mais altas leis e normas que regem a vida independente” do país. A nota ainda desafia a autoridade da Santa Sé, afirmando que o Estado do Vaticano “não tem autoridade política supranacional” para decidir sobre cargos e poderes na Nicarágua.
Dom Álvarez, bispo de Matagalpa e administrador apostólico de Estelí, foi condenado a 26 anos e quatro meses de prisão em fevereiro de 2023 por “traição à pátria” e teve sua nacionalidade nicaraguense revogada. Ele foi deportado para o Vaticano em janeiro do ano passado, após negar-se a embarcar em um voo com outros presos políticos exilados.
Entrevista polêmica
Na entrevista concedida à EWTN News e reproduzida pelo site ACI Digital, Dom Álvarez falou sobre sua experiência após a libertação e chegada a Roma. Ele descreveu o momento como “uma ação sobrenatural de Deus” e afirmou que o papa Francisco pediu que ele continuasse como ordinário de Matagalpa e administrador apostólico de Estelí, mesmo estando na diáspora.
“Eu amo muito minha gente, amo meu povo e digo a eles que sou bispo da Igreja universal”, declarou o prelado. Ele também ressaltou que continuará no cargo “até que Deus queira”, reforçando seu compromisso com a Igreja católica.
Reação do governo nicaraguense
A resposta do governo de Ortega foi contundente. Além de atacar as declarações de Dom Álvarez, a nota oficial acusou o Vaticano de práticas graves, usando termos como “depravado” e “pedófilo”. O regime também reafirmou sua posição de que a Santa Sé não tem jurisdição para interferir em assuntos internos da Nicarágua, especialmente na nomeação de bispos.
Contexto da prisão e exílio
Dom Álvarez foi preso em agosto de 2022, acusado de “conspiração” e “traição à pátria”. Ele passou um ano e cinco meses detido, primeiro em prisão domiciliar e depois em uma penitenciária, antes de ser deportado para o Vaticano. Em fevereiro de 2023, ele foi condenado a mais de 26 anos de prisão, em um julgamento amplamente criticado por organizações de direitos humanos.
Na entrevista à EWTN News, o bispo relatou que, durante o período na prisão, manteve a esperança de ser libertado. “Sempre acreditei na minha libertação. O que me sustentava era a oração”, disse. Ele também agradeceu às pessoas que rezaram por ele, incluindo “agnósticos e não-crentes” que desejaram seu bem.
Relação com o papa Francisco
Dom Álvarez revelou que o papa Francisco demonstrou carinho por ele desde 2018, quando os dois se encontraram no Vaticano. Ele contou que, durante o Sínodo da Sinodalidade em outubro de 2023, teve a oportunidade de conversar com o pontífice. “Falei de tudo o que tinha para falar”, disse o bispo, sem revelar detalhes da conversa.
Mensagem de esperança
Ao final da entrevista, Dom Álvarez enviou uma mensagem de esperança ao povo nicaraguense. “Digo a eles que eu os amo. Sou bispo da Igreja universal e continuarei sendo até que Deus queira”, afirmou. Ele também abençoou o povo da Nicarágua e de toda a América Latina, reforçando seu compromisso com a fé católica.

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