Bancada Evangélica vs. Frente Parlamentar Evangélica: 5 diferenças que você precisa conhecer

No Congresso Nacional, a atuação de grupos organizados em torno de interesses comuns é uma prática antiga. Entre eles, destacam-se a Bancada Evangélica e a Frente Parlamentar Evangélica.

Embora muitas vezes confundidas, essas duas estruturas têm diferenças significativas.

A jornalista e doutora em Ciências da Comunicação, Magali Cunha, pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (ISER), explica que “uma bancada é um grupo de parlamentares que se organizam de maneira informal, suprapartidária, para articular interesses em comum”.

Já as frentes parlamentares, autorizadas a partir de 2005, são mais formais e institucionalizadas.

A seguir, entenda as diferenças entre essas duas formas de organização e como elas influenciam a política brasileira.


O que é uma bancada?

Bancadas são grupos informais de parlamentares que se unem em torno de interesses específicos, como a defesa de uma região (bancada nordestina) ou de um setor (bancada ruralista). No caso da Bancada Evangélica, ela existe desde 1986 e reúne deputados e senadores que compartilham pautas ligadas aos valores e interesses das igrejas evangélicas.

Segundo Magali Cunha, “a bancada evangélica é a mais antiga entre as religiosas”. Ela funciona de maneira suprapartidária, ou seja, congrega políticos de diferentes partidos. Sua atuação é ampla e abrange diversas pautas, desde questões morais até políticas públicas.


O que é uma frente parlamentar?

As frentes parlamentares, por outro lado, são grupos formalizados e registrados na Câmara dos Deputados. Para existirem, precisam da adesão de pelo menos um terço dos parlamentares (171 deputados) e devem ter um representante oficial.

A Frente Parlamentar Evangélica (FPE), criada em 2005, é um exemplo. Ela reúne deputados e senadores e funciona como uma extensão da Bancada Evangélica. No entanto, nem todos os integrantes da FPE são evangélicos. Em 2024, dos 204 deputados federais da FPE, apenas 79 são evangélicos. Há também 75 católicos e 50 sem vinculação religiosa identificada.


5 Diferenças entre Bancada Evangélica e Frente Parlamentar Evangélica

1) Formalidade: A Bancada Evangélica é um grupo informal. A Frente Parlamentar Evangélica é formalizada e registrada na Câmara.

2) Requisitos: A bancada não exige número mínimo de integrantes. A frente precisa de pelo menos um terço dos deputados (171) para ser criada.

3) Composição: A bancada é majoritariamente formada por evangélicos. A frente inclui católicos, cristãos e até parlamentares sem religião.

4) Objetivo: A bancada atua de forma ampla, com pautas variadas. A frente foca em temas específicos, como projetos de lei relacionados à fé e à moral.

5) Histórico: A bancada existe desde 1986. A frente foi criada em 2005, como uma formalização da bancada.


    A Influência das Frentes e Bancadas

    Magali Cunha destaca que “frentes e bancadas atuam de formas distintas, mas complementares”. Enquanto a bancada tem maior liberdade de ação, a frente parlamentar oferece uma estrutura mais organizada para pressionar por mudanças legislativas.

    A Frente Parlamentar Evangélica, por exemplo, já ajudou a alçar figuras como Eduardo Cunha e Marco Feliciano ao protagonismo político. Já a Bancada Evangélica tem uma atuação mais ampla, influenciando debates sobre família, moralidade e direitos religiosos.

    Entender as diferenças entre bancadas e frentes parlamentares é essencial para compreender as dinâmicas do Congresso Nacional. Enquanto a Bancada Evangélica representa uma articulação histórica e informal, a Frente Parlamentar Evangélica é uma estrutura formalizada que amplia o alcance desses grupos.

    Como afirma Magali Cunha, “essas diferenças ajudam a entender as propostas e os interesses que disputam espaço na agenda política”. E, no caso da FPE, é curioso notar que nem todos os integrantes são evangélicos. Muitos aderem por afinidade com as pautas ou para usar o apoio como capital político.

    Esquerda e Bolsonarimo disputam a liderança da FPE

    No atual cenário, a Frente Parlamentar Evangélica está dividida entre dois candidatos ao próximo líder: Otoni de Paula (MDB-RJ), que recentemente deu uma guinda à esquerda, apoia o governo Lula, e Gilberto Nascimento (PSD-SP), alinhado ao bolsonarismo. Ambos são ligados à Assembleia de Deus.

    Este texto foi produzido com base em informações do vídeo do ISER (veja abaixo) e do artigo “Frentes parlamentares e bancadas de identidade religiosa no Congresso Nacional: Qual a diferença?”, publicado no site Religião e Poder.

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